Vi o filme fados para um evento cultural, e realmente foi. Gostei muito, porque não sei muito sobre fado (apesar de servir em portugal, não passei muito tempo ouvir a música). Não sabia que foi tão ligado com a música dos outros países. Como um filme foi um pouco difícil assistir, pois não tem muita estrutura, só deu vários exemplos da música, mas a música foi muito boa, e as danças serviram para desenvolver mais a história nela. A cinematographia também foi muito interessante, e gostei como usaram cores, sombra, e vídeo para sublinhar a emoção. Cinco estrelas! (não me lembro bem se dizemos nisso em inglês, mas sempre gostava muito dessa expressão)
Friday, November 30, 2012
'Azuis' sempre foi uma das minhas palavras preferidas
Foi assistir Os Olhos Azuis da Yonta no international cinema. Não sei como senti sobre o filme. Foi bem feito, sem questão, e foi interessante ver a vida lá em africa, sendo que conheci tantas pessoas de lá. No entanto, talvez não entendi muito bem o filme, porque senti que não se resolveu. O amigo de , que é tão dramático, e com quem ele quer tanto reunir, finalmente chega, e então nada acontece. Por um momento pensei que ele ia ficar maluco e matar todos, mas então só saia, e o filme termina. Foi interessante, mas as vezes perecia que estava a tentar ser artistica só por ser, distrai um pouco. No entanto, gostei de ver guiné, só para entender melhor as pessoas que de lá vieram.
Entre as brumas da memória
"Boa gente. Os vizinhos dão-se todos bem...bom, quer dizer, há alguns..."
Dot.com
Gostei muito deste filme (do parte que vi até agora, depois o internet parou e precisei escrever isto e dormir). Provavelmente seja mais as minhas saudades, em que quase exactamente três anos que cheguei em portugal, mas vejo que este filme encaixa quase perfeitamente o dinâmico que existe em portugal, entre a geração velha, que adora tradição, a vizinhança, e o orgulho de ser português. Este conflito, se assim podemos dizer, existe em toda parte, mas em portugal é especialmente forte porque a idade média está a tornar-se cada vez mais velha, enquanto o mundo muda cada vez mais rapido. Há aldeias onde parace que nada mudou desde sempre, mas o mundo sempre se obriga a mudar.
Também todos nos sentimos, de vez em quando, que somos nós os unicos solteiros num aldeia pequena, um lago das velhas e casadas.
Em fim, gostei muito deste filme, mesmo que seja por ser tão português, e ainda que seja paródia as vezes, não desvia assim tanto da verdade. Para alguém que nunca visitou Portugal, se quiser saber como é, é mesmo assim.
Dot.com
Gostei muito deste filme (do parte que vi até agora, depois o internet parou e precisei escrever isto e dormir). Provavelmente seja mais as minhas saudades, em que quase exactamente três anos que cheguei em portugal, mas vejo que este filme encaixa quase perfeitamente o dinâmico que existe em portugal, entre a geração velha, que adora tradição, a vizinhança, e o orgulho de ser português. Este conflito, se assim podemos dizer, existe em toda parte, mas em portugal é especialmente forte porque a idade média está a tornar-se cada vez mais velha, enquanto o mundo muda cada vez mais rapido. Há aldeias onde parace que nada mudou desde sempre, mas o mundo sempre se obriga a mudar.
Também todos nos sentimos, de vez em quando, que somos nós os unicos solteiros num aldeia pequena, um lago das velhas e casadas.
Em fim, gostei muito deste filme, mesmo que seja por ser tão português, e ainda que seja paródia as vezes, não desvia assim tanto da verdade. Para alguém que nunca visitou Portugal, se quiser saber como é, é mesmo assim.
Thursday, November 15, 2012
O mundo inteiro é um palco
"Não é inteiramente falso, porque sem dúvida nada é inteiramente falso."
"O Marinheiro", Fernando Pessoa (como A Carlos Franco)
O marinheiro mergulha-se na metaficção, mas não há nada assim muito novo sobre metaficção, embora ainda tem peso para nós. O que é mais interessante sobre esta peça, e Fernando Pessoa em geral, é a meta-verdade que ele cria, e também a profundeza (ou a altura da ficção/verdade). Começamos comigo, mas em verdade já estás a ler isto, então a muito mais níveis ainda: Eu existo. Podiamos falar muito sobre isso, mas vamos dizer que há uma pessoa que eu realmente sou. Mas além disso tem a pessoa que eu represento. A voz que aparece quando eu escrevo ensaios, a minha parte, que represento. E então tem esta pessoa, que talvez não seja exatamente quem eu sou, que está a ler esta peça, por Fernando Pessoa. Mas não é Fernando Pessoa que a escrevi, foi A Carlos Franco, a personagem que Pessoa criou, que escreve a peça. Na história, temos as três pessoas, uma delas canta uma história: O Marinheiro. Só no titulo vemos o papel central da metaficção. E nesta história, o marinheiro cria um mundo inteiro que se canta, por que é preferível a verdade, mas como disse no início, não é inteiramente falso, pois nada é.
Ai vemos a mensagem destas níveis contínuas: não somos tão concretos quanto pensamos, nós somos atores, nós somos falsos, mas também é por estas falsificações que vemos verdade alguma.
"O Marinheiro", Fernando Pessoa (como A Carlos Franco)
O marinheiro mergulha-se na metaficção, mas não há nada assim muito novo sobre metaficção, embora ainda tem peso para nós. O que é mais interessante sobre esta peça, e Fernando Pessoa em geral, é a meta-verdade que ele cria, e também a profundeza (ou a altura da ficção/verdade). Começamos comigo, mas em verdade já estás a ler isto, então a muito mais níveis ainda: Eu existo. Podiamos falar muito sobre isso, mas vamos dizer que há uma pessoa que eu realmente sou. Mas além disso tem a pessoa que eu represento. A voz que aparece quando eu escrevo ensaios, a minha parte, que represento. E então tem esta pessoa, que talvez não seja exatamente quem eu sou, que está a ler esta peça, por Fernando Pessoa. Mas não é Fernando Pessoa que a escrevi, foi A Carlos Franco, a personagem que Pessoa criou, que escreve a peça. Na história, temos as três pessoas, uma delas canta uma história: O Marinheiro. Só no titulo vemos o papel central da metaficção. E nesta história, o marinheiro cria um mundo inteiro que se canta, por que é preferível a verdade, mas como disse no início, não é inteiramente falso, pois nada é.
Ai vemos a mensagem destas níveis contínuas: não somos tão concretos quanto pensamos, nós somos atores, nós somos falsos, mas também é por estas falsificações que vemos verdade alguma.
Thursday, November 8, 2012
O pano cai lentamente
"Zé - Santa Bárbara me abandonou, Rosa!
Rosa - Se ela abandonou você, abandone também a promessa. Quem sabe se não é ela mesma que não quer que você cumpra o prometido?
Zé - Não... mesmo que ela me abandone, eu preciso ir até o fim. Ainda que já não seja por ela... que seja só pra ficar em paz comigo mesmo."
Terceiro Ato, O Pagador de Promessas por Dias Gomes
Eu não sei como me sinto em relação a esta peça e ao Zé. Como podemos sentir? Toda a sua dedicação, toda a sua crença e determinação, será que não seja mais do que teimosia? Será que ele não seja mais de burro, teimosamente se mantendo no seu rabo enquanto todas as pessoas e toda razão o empurram para mudar?
Precisa de ser mais do que isso. O problema é que para mim, nas minhas promessas, eu vejo que sou abençoado quando as cumpro. Isso é a"lei, irrevogavelmente decretada nos céu". E isso não é unico para a nossa igreja, nós, como seres humanos, sentimo-nos que a vida deve ser justa, e que se fizermos tudo certinho então tudo vai correr bem. Portanto no início, não nos sentimos que seja tolice ou teimosia que Zé fica. Rosa parece queixosa e fraca, mas pelo fim, muda-se: Rosa torna-se a única pessoa que vê razão e que está com Zé.
Em fim, este é um tragédia, sabia que Zé ia morrer, pois diz logo na introdução, mas como disse a semana passada, não me sinto catarse na tragédia, vejo tudo que é injusto no mundo. Mas talvez estou a perder o significado maior, pois em verdade estou meio doente. A vida é assim.
Rosa - Se ela abandonou você, abandone também a promessa. Quem sabe se não é ela mesma que não quer que você cumpra o prometido?
Zé - Não... mesmo que ela me abandone, eu preciso ir até o fim. Ainda que já não seja por ela... que seja só pra ficar em paz comigo mesmo."
Terceiro Ato, O Pagador de Promessas por Dias Gomes
Eu não sei como me sinto em relação a esta peça e ao Zé. Como podemos sentir? Toda a sua dedicação, toda a sua crença e determinação, será que não seja mais do que teimosia? Será que ele não seja mais de burro, teimosamente se mantendo no seu rabo enquanto todas as pessoas e toda razão o empurram para mudar?
Precisa de ser mais do que isso. O problema é que para mim, nas minhas promessas, eu vejo que sou abençoado quando as cumpro. Isso é a"lei, irrevogavelmente decretada nos céu". E isso não é unico para a nossa igreja, nós, como seres humanos, sentimo-nos que a vida deve ser justa, e que se fizermos tudo certinho então tudo vai correr bem. Portanto no início, não nos sentimos que seja tolice ou teimosia que Zé fica. Rosa parece queixosa e fraca, mas pelo fim, muda-se: Rosa torna-se a única pessoa que vê razão e que está com Zé.
Em fim, este é um tragédia, sabia que Zé ia morrer, pois diz logo na introdução, mas como disse a semana passada, não me sinto catarse na tragédia, vejo tudo que é injusto no mundo. Mas talvez estou a perder o significado maior, pois em verdade estou meio doente. A vida é assim.
Thursday, November 1, 2012
É essa. Só pode ser essa.
"O que nos interesse não é o dogmatismo cristão, a intolerância religiosa -- é a crueldade de uma engrenagem social construída sobre um falso conceito de liberdade."
É rara num conto que o autor explica a mensagem e o propósito do texto, mas é exactamente isso que o Dias Gomes faz para nós. Mas vendo que esta é uma peça, é necessária.
No entanto, faz com que a interpretação do significado da peça seja um pouco menos interessado para o leitor. Em vez disso, podia-se expressar este sentimento, ao apresentar a peça. Nós não temos tal oportunidade, mas podemos encontrar as instâncias disso no texto. A maior exemplo (até agora, na minha leitura) é quando o padre não deixa Zê entrar na igreja. Depois de tudo que Zê sufreu, a injustiça de não lhe deixar entrar toca-nos e faz-nos frustrado da toda a injustiça que realmente existe. De acordo com a interpretação do Joseph Kelly, este é a função da tragédia, catarsis.
É rara num conto que o autor explica a mensagem e o propósito do texto, mas é exactamente isso que o Dias Gomes faz para nós. Mas vendo que esta é uma peça, é necessária.
No entanto, faz com que a interpretação do significado da peça seja um pouco menos interessado para o leitor. Em vez disso, podia-se expressar este sentimento, ao apresentar a peça. Nós não temos tal oportunidade, mas podemos encontrar as instâncias disso no texto. A maior exemplo (até agora, na minha leitura) é quando o padre não deixa Zê entrar na igreja. Depois de tudo que Zê sufreu, a injustiça de não lhe deixar entrar toca-nos e faz-nos frustrado da toda a injustiça que realmente existe. De acordo com a interpretação do Joseph Kelly, este é a função da tragédia, catarsis.
Thursday, October 25, 2012
abaixo dos puristas
"Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
--Não quero mais saber do lirismo que não é libertação"
Poética, Manuel Bandeira
Escrevi um soneto esta semana. Eu gosto de soneto, eu gosto de shakespeare, gosto da forma e estrutura e a maneira que organiza e aumenta o significado. Mas ao escrever o soneto, fiquei chateado que tive de mudar o sentimento das palavras para caber num formato tão rigido. Em verdade eu simplesmente não tinha tempo para achar as palavras perfeitas, mas entendo esta reclamação. Também esta semana estou a ler muitos trabalhos acadêmicos, que podem encher com pretenso.
Por fim, por que ainda tenho muito escrever além dos blogs divertidos, Manuel Bandeira usa a ausência da forma para enfatizar o seu ponto, que o significado não deve ser subserviente ao forma e estilo prescritos.
Friday, October 19, 2012
Sexta é a nova quinta
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente,"
"Autopsicografia" -Fernando Pessoa
Este poema é especialmente especial para mim, ou melhor Fernando Pessoa é, porque andei em tantas ruas que tem o seu nome, mas essa ideia é muito interessante. Primeiro aprendemos que a poeta é fingidor. Somos dispostos a supor que o poeta está sempre a falar por si mesmo ainda que saibamos que isto é errado. Mas essa ideia em si não é assim tão nova.
Mais interessante é a ideia que há uma outra dor que ele realmente tem, ou neste caso duas, mas que não expresse. E então pensamos: essas duas dores que ele descreve, essas são reais? Ou será que este poema é tão meta que os dois niveis são falsos.
Mas em verdade todos nós fazemos a mesma coisa, não somente os poetas. Nós queixamo-nos das coisas que realmente não nos importamos, enquanto escondemos as coisas mais profundas.
Thursday, October 11, 2012
brevidade é a alma da sobrecarga
"Na valsa
tão falsa,
Corrias,
Fugias,
Argente,
Contente,
Tranqüila,
Serena,
Sem pena
De mim!"
-A Valsa, por Casimiro de Abreu
Devo dizer: Tipicamente, eu não gosto das troques poéticas que tantas vezes aparecem em Poesia Concreta e outras poemas quando a forma é tão aparente. Eu acho que demasiadamente, são infantil e não criam mais do que uma impressão breve e frívolo. São interessantes e boas em moderação, mas tem perigo de tornar-se em 'schtick' (nem imagino como traduzir isso...)
Thursday, October 4, 2012
se não tivesse visto um vaga-lume, duvido que acreditasse que existia.
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
"Quem me dera que fosse aquela loura estrela
....
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
...Por que não nasci eu um simples vaga-lume?"
Círculo vicioso - Machado de Assis
Talvez fosse melhor só citar o poema toda, mas não quis, aqui Assis cria um poema irónica que mostra que todos nós desejamos ser algo que não somos. Este é mais interessante, porque não é só um circulo dos desejos, é um corrente dos menos brilhante para o mais, e quando chegamos ao sól, percebemos que o mais brilhante só deseja ser o manso vaga-lume. Acho que todos nós queremos ser maior, mas quando chegamos, percebemos que não tem graça estar no topo, não há nada para desejar, e sente-se muito só. Quer dizer, eu imagino, em verdade nunca cheguei a ser o melhor do mundo em nada, mas Machado de Assis talvez foi o melhor escritor do seu tempo. Será que ele se sentisse assim?
O poema em si é simples (é soneto!), mas usa eficazmente rima (ABBA ABBA ABA BAB) para entrelaçar a história. Ao chegar ao fim, a mesma rima continua, mas repete mais rapidamente, criando um sentimento de descer pelo dreno neste circulo.
![]() |
| É difícil tirar foto da lua, nunca fiquei satisfeito |
Thursday, September 27, 2012
Á procura do 'Everlasting Gobstopper'
"-Acabou-se o docinho. E agora?
-Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquela puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito."
do "Medo da Eternidade" por Clarice Lispector
Quando li isto à primeira vista, realmente só pensei, "que engraçado, chiclete (ou pastilha elástica, como é chamado pelos portugueses) realmente é assim, e eternidade é um pouco assustador." Gostei muito, mas talvez não percebi a aplicação na minha vida.
Hoje, estava a pensar sobre quem eu queria pedir sair num encontro comigo este fim da semana, e sobre as dificuldades de escolher entre as várias pessoas no byu, e primeiro decidi a ler algumas dos contos de português. Ao passar por este conto, percebi que não era só um conto sobre doces e eternidade em geral, também faz uma parábola bem compreensiva da vida solteira com medo do compromisso. Nós adoramos a ideia duma coisa que durava para sempre, e não ter de procurar novos, e finalmente conseguimos uma, mas logo perde o sabor interessante e só tem aquela sabor vaga de cuspe e pasel velho. De repente ficar com tal sabor para sempre não é tão boa (pensamos, quantas outras doces eu queria provar, e agora só posso mastigar esta...) e fazemos algo para escapar. Fingimos que é triste, mas em verdade estamos felizes para ser livre da eternidade.
Sei que este interpretação tem muito a ver com minha vida agora, mas Clarice tive um casamento meio complicado, e muito disso mostra-se nas suas obras.
Por acaso tive uma conversa mesmo hoje com um amigo meu, quem sai da missão há alguns meses. Perguntou-me se foi mal perder interesse numa moça logo que ela mostrou interesse e a ideia dum relacionamento ficasse possível. Não sei se é mal ou não, só sei que acontece comigo demais. Acho que muitos de nós têm este medo da ficar preso com uma coisa que não queremos, e é por isso que esteconto crônica toca em nós.
-Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquela puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito."
do "Medo da Eternidade" por Clarice Lispector
Quando li isto à primeira vista, realmente só pensei, "que engraçado, chiclete (ou pastilha elástica, como é chamado pelos portugueses) realmente é assim, e eternidade é um pouco assustador." Gostei muito, mas talvez não percebi a aplicação na minha vida.
Hoje, estava a pensar sobre quem eu queria pedir sair num encontro comigo este fim da semana, e sobre as dificuldades de escolher entre as várias pessoas no byu, e primeiro decidi a ler algumas dos contos de português. Ao passar por este conto, percebi que não era só um conto sobre doces e eternidade em geral, também faz uma parábola bem compreensiva da vida solteira com medo do compromisso. Nós adoramos a ideia duma coisa que durava para sempre, e não ter de procurar novos, e finalmente conseguimos uma, mas logo perde o sabor interessante e só tem aquela sabor vaga de cuspe e pasel velho. De repente ficar com tal sabor para sempre não é tão boa (pensamos, quantas outras doces eu queria provar, e agora só posso mastigar esta...) e fazemos algo para escapar. Fingimos que é triste, mas em verdade estamos felizes para ser livre da eternidade.
| Juicy Fruit: The One Night Stand of chewing gum |
Sei que este interpretação tem muito a ver com minha vida agora, mas Clarice tive um casamento meio complicado, e muito disso mostra-se nas suas obras.
Por acaso tive uma conversa mesmo hoje com um amigo meu, quem sai da missão há alguns meses. Perguntou-me se foi mal perder interesse numa moça logo que ela mostrou interesse e a ideia dum relacionamento ficasse possível. Não sei se é mal ou não, só sei que acontece comigo demais. Acho que muitos de nós têm este medo da ficar preso com uma coisa que não queremos, e é por isso que este
Monday, September 24, 2012
Educação em Provo
Hoje fui ao "Education in Zion" a exposição no JFSB. Logo do início reparei a tranquilidade que estava lá. Ás vezes a vida fica muito barulhento, e é rara ter tempo para só pensar. Em verdade esta foi a coisa que me tocou mais, a importância de ter tempo para pensar. Foi como se fosse um templo para educação.
Devia ter tirado fotos, mas pensei interessante a grande importância de aprendizagem para a igreja e para Deus. Desde do início da igreja, sempre colocavam educação como uma coisa muito importante. Não somente como uma coisa prática para viver no mundo e ser bem sucedido, mas como uma coisa que vai levar-nos para perfeição, uma parte central do nosso progresso aqui na terra.
A exposição falou sobre o dinamico entre conhecimento cientifica e espiritual, especialmente no BYU. Apesar dos dois ter a mesma meta, isso é chegar à verdade, são muitas vezes postos em oposição. Aprendi sobre algumas épocas quando este conflito chegou ao BYU. Sinto-me muito privilegiado para não somente ter uma escola que consegue ensinar biologia e evolução sem contradizer a existência de Deus, mas também que, com algumas excepções, consegue ensinar coisas religiosas sem criticar ciência e pensamento racional. Acredito plenamente que perdemos muito quando criamos e seguimos conflitos entre religião e ciência.
Tudo isso aplica ao curso. A tema, "Detecting Fiction, Discovering Self" tem a ver com esta idéia. Também, vejo que uma das técnicas mais importantes da criticismo literário é a habilidade analizar os pensamentos e as temas dos contos. Nisso encontramos a verdade contida em todas as coisas, e descobrimos coisas não somente interessantes, mas coisas pelas quais podemos conhecer-nos melhor, descobrindo quem somos como estudiosos e como filhos de deus.
Devia ter tirado fotos, mas pensei interessante a grande importância de aprendizagem para a igreja e para Deus. Desde do início da igreja, sempre colocavam educação como uma coisa muito importante. Não somente como uma coisa prática para viver no mundo e ser bem sucedido, mas como uma coisa que vai levar-nos para perfeição, uma parte central do nosso progresso aqui na terra.
A exposição falou sobre o dinamico entre conhecimento cientifica e espiritual, especialmente no BYU. Apesar dos dois ter a mesma meta, isso é chegar à verdade, são muitas vezes postos em oposição. Aprendi sobre algumas épocas quando este conflito chegou ao BYU. Sinto-me muito privilegiado para não somente ter uma escola que consegue ensinar biologia e evolução sem contradizer a existência de Deus, mas também que, com algumas excepções, consegue ensinar coisas religiosas sem criticar ciência e pensamento racional. Acredito plenamente que perdemos muito quando criamos e seguimos conflitos entre religião e ciência.
Tudo isso aplica ao curso. A tema, "Detecting Fiction, Discovering Self" tem a ver com esta idéia. Também, vejo que uma das técnicas mais importantes da criticismo literário é a habilidade analizar os pensamentos e as temas dos contos. Nisso encontramos a verdade contida em todas as coisas, e descobrimos coisas não somente interessantes, mas coisas pelas quais podemos conhecer-nos melhor, descobrindo quem somos como estudiosos e como filhos de deus.
Thursday, September 20, 2012
Se o Gato de Schrödinger cai duma árvore...
ao perguntar o que está no mato:
"Ah, já sei: um menino perdido, a chorar de medo. Ou talvez um macaquinho perdido, a chorar de medo. Ah, apenas um macaquinho, vocês respiram aliviados. Mas quem disse que a dor de um macaquinho é mais justa que a dor de um menino?
Mas o que estão a imaginar? Isso aqui é apenas um menino - ou macaquinho - de papel e tinta. E, depois, se fosse de verdade, o menino poderia morrer mordido pela cobra. Ou então matar a cobra e tornar-se um homem. No caso do macaquinho, tornar-se um macacão....Mas não se esqueçam, são todos de papel e tinta: o menino, o macaquinho, a cobra, o homem, o macacão, seus urros e os socos que dá no próprio peito cabeludo. Cabelos de papel, naturalmente. E, portanto, não há motivos para sustos."
Este conto (ou não conto...) começa com uma descrição dum deserto e põe a pergunta: se algo acontece onde ninguém observa, ainda importa? Ainda faz som? Como diz no início: "Mas onde, como, foi feita essa divisão entre som e silêncio, se não com os ouvidos?" Aborda, mais ou menos, aquela ditado, "se uma árvore cai, e ninguém escuta, faz som?"
Por uma abordagem cientifica, reconhecemos que 'som' existe somente nos ouvidos. A 'realidade' são ondas, vibrações no ar, que nós observamos como som, música, etc. Há ondas que alguns ouvem mas outros não, e há ondas que existem, mas que são de tal frequência que não podemos ouvir. Então ainda existem? E o som, existe?
Esta é uma pergunta interessante, mas Sérgio Sant'Anna estende esta questão para as coisas emocionais e literárias. Conta algumas histórias sobre homens e animais, sofrendo ou vencendo com ninguém que observe. E então nos relembra de que nada disso existe, é somente tinta na página. E se não lesse português, não tinha significado nenhum, então ainda existia?
Esta entrada está a alongar-se demais, portanto termino. Sérgio não propõe uma resposta, mas acredito que essas coisas realmente importam. Apesar de não ter uma existência objetiva, são importantes porque nos importamos. São importantes porque somos, ainda que não sejam. Damos existência a essas figuras de tinta, e as ondas ressoam em nós, transformando-se em música.
"Ah, já sei: um menino perdido, a chorar de medo. Ou talvez um macaquinho perdido, a chorar de medo. Ah, apenas um macaquinho, vocês respiram aliviados. Mas quem disse que a dor de um macaquinho é mais justa que a dor de um menino?
Mas o que estão a imaginar? Isso aqui é apenas um menino - ou macaquinho - de papel e tinta. E, depois, se fosse de verdade, o menino poderia morrer mordido pela cobra. Ou então matar a cobra e tornar-se um homem. No caso do macaquinho, tornar-se um macacão....Mas não se esqueçam, são todos de papel e tinta: o menino, o macaquinho, a cobra, o homem, o macacão, seus urros e os socos que dá no próprio peito cabeludo. Cabelos de papel, naturalmente. E, portanto, não há motivos para sustos."
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| O deserto transforma-se num mato só pelas detalhes |
Por uma abordagem cientifica, reconhecemos que 'som' existe somente nos ouvidos. A 'realidade' são ondas, vibrações no ar, que nós observamos como som, música, etc. Há ondas que alguns ouvem mas outros não, e há ondas que existem, mas que são de tal frequência que não podemos ouvir. Então ainda existem? E o som, existe?
Esta é uma pergunta interessante, mas Sérgio Sant'Anna estende esta questão para as coisas emocionais e literárias. Conta algumas histórias sobre homens e animais, sofrendo ou vencendo com ninguém que observe. E então nos relembra de que nada disso existe, é somente tinta na página. E se não lesse português, não tinha significado nenhum, então ainda existia?
Esta entrada está a alongar-se demais, portanto termino. Sérgio não propõe uma resposta, mas acredito que essas coisas realmente importam. Apesar de não ter uma existência objetiva, são importantes porque nos importamos. São importantes porque somos, ainda que não sejam. Damos existência a essas figuras de tinta, e as ondas ressoam em nós, transformando-se em música.
Thursday, September 13, 2012
O Macaco e o Mar
"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser o pior maneira de gostar."
"...quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver."
"Não o sabes?"
...falam um pouco sobre como todo o homem é uma ilha
"é necessaário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós."
Nunca me riria de quem me fez sair pela porta das decisões."
"A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma."
A Ilha Desconhecida e tudo sobre o desejo de descobrir. Tendo morado em portugal, sinto-me que a cultura de descobrir ainda esta presente. Mas ja nao ha oportunidades de descobrir como era. Nao somente em portugal, mas em geral, muitas pessoas querem descobrir e sintam-se que nao para fazer.
Muitas dizem o mesmo para o homem, mas ele sabe que tem de haver coisas desconhecidas ainda. Por acaso, hoje foi descoberto um macaco que nunca tinha sida visto pelo mundo oeste. Parece muito humano, por acaso. Eu gosto muito da idéia que em descobrir coisas, descobrimos nós próprios, e que nós, sendo ilhas, só podemos olhar para nós ao sair das coisas que conhecemos. Tudo nesta historia ressoa muito comigo, tentei editar e explicar esta ideia melhor, mas nao estou a consiguir muito bem. Olha para esta macaco, talvez explique melhor.
Sinto-me que temos de ter oportunidades para descobrir para que nos sintamos que ha esperanca, e que podemos mudar e crescer.
"...quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver."
"Não o sabes?"
...falam um pouco sobre como todo o homem é uma ilha
"é necessaário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós."
Nunca me riria de quem me fez sair pela porta das decisões."
"A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma."
A Ilha Desconhecida e tudo sobre o desejo de descobrir. Tendo morado em portugal, sinto-me que a cultura de descobrir ainda esta presente. Mas ja nao ha oportunidades de descobrir como era. Nao somente em portugal, mas em geral, muitas pessoas querem descobrir e sintam-se que nao para fazer.
Muitas dizem o mesmo para o homem, mas ele sabe que tem de haver coisas desconhecidas ainda. Por acaso, hoje foi descoberto um macaco que nunca tinha sida visto pelo mundo oeste. Parece muito humano, por acaso. Eu gosto muito da idéia que em descobrir coisas, descobrimos nós próprios, e que nós, sendo ilhas, só podemos olhar para nós ao sair das coisas que conhecemos. Tudo nesta historia ressoa muito comigo, tentei editar e explicar esta ideia melhor, mas nao estou a consiguir muito bem. Olha para esta macaco, talvez explique melhor.
Sinto-me que temos de ter oportunidades para descobrir para que nos sintamos que ha esperanca, e que podemos mudar e crescer.
Thursday, September 6, 2012
Que horas são?
"Um vestido branco, de finíssimo cambraia, envolvia-lhe castamente o corpo, cujas formas aliás desenhava, pouco para os olhos, mas muito para a imaginação."
Em verdade não sei bem o que é para escrever nesta parte, mas gostei muito dessa citação de "A Chinela Turca." Muitas vezes, ao ler, fico com uma imagem muito vaga da história. Pessoas sem muita definição. Imagino que algumas pessoas imagina com mais detalhe, talvez seja preguiça da minha parte. Em qualquer forma, a descrição da moça e poderosa. Chama atenção e descreve com tanta detalhe que ela aparece na história e na imaginação como se fosse uma luz num mundo de pessoas de sombro. Contudo, ela não é descrita exactamente como é, mas com imagens metafóricas que, como disse, desenha pouco para os olhos mas muito para a imaginação. Ele consegue chamar a atenção a forçar o leitor para criar uma imagem desta pessoa tão bonita, beleza que vem não das detalhes mas da imaginação.
Em verdade não sei bem o que é para escrever nesta parte, mas gostei muito dessa citação de "A Chinela Turca." Muitas vezes, ao ler, fico com uma imagem muito vaga da história. Pessoas sem muita definição. Imagino que algumas pessoas imagina com mais detalhe, talvez seja preguiça da minha parte. Em qualquer forma, a descrição da moça e poderosa. Chama atenção e descreve com tanta detalhe que ela aparece na história e na imaginação como se fosse uma luz num mundo de pessoas de sombro. Contudo, ela não é descrita exactamente como é, mas com imagens metafóricas que, como disse, desenha pouco para os olhos mas muito para a imaginação. Ele consegue chamar a atenção a forçar o leitor para criar uma imagem desta pessoa tão bonita, beleza que vem não das detalhes mas da imaginação.
Thursday, August 30, 2012
Outra vez!?
Pois é, estou a criar um novo Blog. Este é uma tarefo para a minha aula da lituratura portuguesa, então aqui encontra-se citações, pensamentos, e tal. Quando estava em Portugal, a nossa dona tinha este autocolante fora da nossa casa. Nunca entendi bem, mas sempre gostei. Talvez tenha a ver com o fato que ela (a nossa dona) e o marido dela já eram bastante velhas, mas eram comprometidos. Em qualquer forma, vou actualizar mais ou menos todas as semanas, então fiquem animados.
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