Thursday, September 27, 2012

Á procura do 'Everlasting Gobstopper'

"-Acabou-se o docinho. E agora?
-Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquela puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito."
do "Medo da Eternidade" por Clarice Lispector

Quando li isto à primeira vista, realmente só pensei, "que engraçado, chiclete (ou pastilha elástica, como é chamado pelos portugueses) realmente é assim, e eternidade é um pouco assustador." Gostei muito, mas talvez não percebi a aplicação na minha vida.

Hoje, estava a pensar sobre quem eu queria pedir sair num encontro comigo este fim da semana, e sobre as dificuldades de escolher entre as várias pessoas no byu, e primeiro decidi a ler algumas dos contos de português. Ao passar por este conto, percebi que não era só um conto sobre doces e eternidade em geral, também faz uma parábola bem compreensiva da vida solteira com medo do compromisso.  Nós adoramos a ideia duma coisa que durava para sempre, e não ter de procurar novos, e finalmente conseguimos uma, mas logo perde o sabor interessante e só tem aquela sabor vaga de cuspe e pasel velho.  De repente ficar com tal sabor para sempre não é tão boa (pensamos, quantas outras doces eu queria provar, e agora só posso mastigar esta...) e fazemos algo para escapar.  Fingimos que é triste, mas em verdade estamos felizes para ser livre da eternidade.
Juicy Fruit: The One Night Stand of chewing gum

Sei que este interpretação tem muito a ver com minha vida agora, mas Clarice tive um casamento meio complicado, e muito disso mostra-se nas suas obras.

Por acaso tive uma conversa mesmo hoje com um amigo meu, quem sai da missão há alguns meses.  Perguntou-me se foi mal perder interesse numa moça logo que ela mostrou interesse e a ideia dum relacionamento ficasse possível.  Não sei se é mal ou não, só sei que acontece comigo demais.  Acho que muitos de nós têm este medo da ficar preso com uma coisa que não queremos, e é por isso que este conto crônica toca em nós.


Monday, September 24, 2012

Educação em Provo

Hoje fui ao "Education in Zion" a exposição no JFSB.  Logo do início reparei a tranquilidade que estava lá.  Ás vezes a vida fica muito barulhento, e é rara ter tempo para só pensar.  Em verdade esta foi a coisa que me tocou mais, a importância de ter tempo para pensar.  Foi como se fosse um templo para educação.

Devia ter tirado fotos, mas pensei interessante a grande importância de aprendizagem para a igreja e para Deus.  Desde do início da igreja, sempre colocavam educação como uma coisa muito importante.  Não somente como uma coisa prática para viver no mundo e ser bem sucedido, mas como uma coisa que vai levar-nos para perfeição, uma parte central do nosso progresso aqui na terra.

A exposição falou sobre o dinamico entre conhecimento cientifica e espiritual, especialmente no BYU.  Apesar dos dois ter a mesma meta, isso é chegar à verdade, são muitas vezes postos em oposição.  Aprendi sobre algumas épocas quando este conflito chegou ao BYU.  Sinto-me muito privilegiado para não somente ter uma escola que consegue ensinar biologia e evolução sem contradizer a existência de Deus, mas também que, com algumas excepções, consegue ensinar coisas religiosas sem criticar ciência e pensamento racional.  Acredito plenamente que perdemos muito quando criamos e seguimos conflitos entre religião e ciência.

Tudo isso aplica ao curso.  A tema, "Detecting Fiction, Discovering Self" tem a ver com esta idéia.  Também, vejo que uma das técnicas mais importantes da criticismo literário é a habilidade analizar os pensamentos e as temas dos contos.  Nisso encontramos a verdade contida em todas as coisas, e descobrimos coisas não somente interessantes, mas coisas pelas quais podemos conhecer-nos melhor, descobrindo quem somos como estudiosos e como filhos de deus.

Thursday, September 20, 2012

Se o Gato de Schrödinger cai duma árvore...

ao perguntar o que está no mato:
"Ah, já sei: um menino perdido, a chorar de medo.  Ou talvez um macaquinho perdido, a chorar de medo.  Ah, apenas um macaquinho, vocês respiram aliviados.  Mas quem disse que a dor de um macaquinho é mais justa que a dor de um menino?

Mas o que estão a imaginar?  Isso aqui é apenas um menino - ou macaquinho - de papel e tinta.  E, depois, se fosse de verdade, o menino poderia morrer mordido pela cobra. Ou então matar a cobra e tornar-se um homem. No caso do macaquinho, tornar-se um macacão....Mas não se esqueçam, são todos de papel e tinta: o menino, o macaquinho, a cobra, o homem, o macacão, seus urros e os socos que dá no próprio peito cabeludo. Cabelos de papel, naturalmente. E, portanto, não há motivos para sustos."

O deserto transforma-se num mato só pelas detalhes
Este conto (ou não conto...) começa com uma descrição dum deserto e põe a pergunta: se algo acontece onde ninguém observa, ainda importa? Ainda faz som?  Como diz no início: "Mas onde, como, foi feita essa divisão entre som e silêncio, se não com os ouvidos?" Aborda, mais ou menos, aquela ditado, "se uma árvore cai, e ninguém escuta, faz som?"

Por uma abordagem cientifica, reconhecemos que 'som' existe somente nos ouvidos. A 'realidade' são ondas, vibrações no ar, que nós observamos como som, música, etc. Há ondas que alguns ouvem mas outros não, e há ondas que existem, mas que são de tal frequência que não podemos ouvir.  Então ainda existem? E o som, existe?

Esta é uma pergunta interessante, mas Sérgio Sant'Anna estende esta questão para as coisas emocionais e literárias. Conta algumas histórias sobre homens e animais, sofrendo ou vencendo com ninguém que observe.  E então nos relembra de que nada disso existe, é somente tinta na página.  E se não lesse português, não tinha significado nenhum, então ainda existia?

Esta entrada está a alongar-se demais, portanto termino.  Sérgio não propõe uma resposta, mas acredito que essas coisas realmente importam.  Apesar de não ter uma existência objetiva, são importantes porque nos importamos.  São importantes porque somos, ainda que não sejam.  Damos existência a essas figuras de tinta, e as ondas ressoam em nós, transformando-se em música.

Thursday, September 13, 2012

O Macaco e o Mar

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser o pior maneira de gostar."

"...quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver."
"Não o sabes?"
...falam um pouco sobre como todo o homem é uma ilha
"é necessaário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós."

Nunca me riria de quem me fez sair pela porta das decisões."

"A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma."

A Ilha Desconhecida e tudo sobre o desejo de descobrir.  Tendo morado em portugal, sinto-me que a cultura de descobrir ainda esta presente.  Mas ja nao ha oportunidades de descobrir como era.  Nao somente em portugal, mas em geral, muitas pessoas querem descobrir e sintam-se que nao  para fazer.
Muitas dizem o mesmo para o homem, mas ele sabe que tem de haver coisas desconhecidas ainda.  Por acaso, hoje foi descoberto um macaco que nunca tinha sida visto pelo mundo oeste.  Parece muito humano, por acaso. Eu gosto muito da idéia que em descobrir coisas, descobrimos nós próprios, e que nós, sendo ilhas, só podemos olhar para nós ao sair das coisas que conhecemos.  Tudo nesta historia ressoa muito comigo, tentei editar e explicar esta ideia melhor, mas nao estou a consiguir muito bem.  Olha para esta macaco, talvez explique melhor.



Sinto-me que temos de ter oportunidades para descobrir para que nos sintamos que ha esperanca, e que podemos mudar e crescer.

Thursday, September 6, 2012

Que horas são?

"Um vestido branco, de finíssimo cambraia, envolvia-lhe castamente o corpo, cujas formas aliás desenhava, pouco para os olhos, mas muito para a imaginação."

Em verdade não sei bem o que é para escrever nesta parte, mas gostei muito dessa citação de "A Chinela Turca." Muitas vezes, ao ler, fico com uma imagem muito vaga da história.  Pessoas sem muita definição.  Imagino que algumas pessoas imagina com mais detalhe, talvez seja preguiça da minha parte.  Em qualquer forma, a descrição da moça e poderosa.   Chama atenção e descreve com tanta detalhe que ela aparece na história e na imaginação como se fosse uma luz num mundo de pessoas de sombro.  Contudo, ela não é descrita exactamente como é, mas com imagens metafóricas que, como disse, desenha pouco para os olhos mas muito para a imaginação.  Ele consegue chamar a atenção a forçar o leitor para criar uma imagem desta pessoa tão bonita, beleza que vem não das detalhes mas da imaginação.