Thursday, October 11, 2012

brevidade é a alma da sobrecarga

"Na valsa
tão falsa,
Corrias, 
Fugias, 
Argente,
Contente,
Tranqüila,
Serena, 
Sem pena
De mim!"
                                                                        -A Valsa, por Casimiro de Abreu

Devo dizer: Tipicamente, eu não gosto das troques poéticas que tantas vezes aparecem em Poesia Concreta e outras poemas quando a forma é tão aparente.  Eu acho que demasiadamente, são infantil e não criam mais do que uma impressão breve e frívolo.  São interessantes e boas em moderação, mas tem perigo de tornar-se em 'schtick' (nem imagino como traduzir isso...)

No entanto, gostei bastante desta poema, porque a forma contribuiu muito ao sentimento da poema.  Ao ler, cai-se logo no ritmo da valsa, e as palavras misturam bonitamente, com uma suavidade que é típica duma dança.  Mas este suavidade discorde com o sentimento do poema, em que este homem se acha angustiado pela falta de interesse desta mulher.  As palavras são mansas e juntam-se perfeitamente, enquanto o homem senta sozinho e até o significado das palavras atraia a suavidade.  Em fim, sentimos claramente o contrasto entre o sítio elegante e os sentimentos acabrunhados dele.  Neste caso (e outros, eu concedo) a forma faz a diferença entre um poema giro e uma experiencia tocante.

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