Thursday, October 4, 2012

se não tivesse visto um vaga-lume, duvido que acreditasse que existia.

Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
"Quem me dera que fosse aquela loura estrela
....
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
...Por que não nasci eu um simples vaga-lume?"

Círculo vicioso - Machado de Assis

Talvez fosse melhor só citar o poema toda, mas não quis, aqui Assis cria um poema irónica que mostra que todos nós desejamos ser algo que não somos.  Este é mais interessante, porque não é só um circulo dos desejos, é um corrente dos menos brilhante para o mais, e quando chegamos ao sól, percebemos que o mais brilhante só deseja ser o manso vaga-lume.  Acho que todos nós queremos ser maior, mas quando chegamos, percebemos que não tem graça estar no topo, não há nada para desejar, e sente-se muito só.  Quer dizer, eu imagino, em verdade nunca cheguei a ser o melhor do mundo em nada, mas Machado de Assis talvez foi o melhor escritor do seu tempo.  Será que ele se sentisse assim?

O poema em si é simples (é soneto!), mas usa eficazmente rima (ABBA ABBA ABA BAB) para entrelaçar a história.  Ao chegar ao fim, a mesma rima continua, mas repete mais rapidamente, criando um sentimento de descer pelo dreno neste circulo.

É difícil tirar foto da lua, nunca fiquei satisfeito
Por fim, embora não sei o que é ser o sól, sei muito bem o que é chegar ao destino e perceber que não era aquilo que queria.

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