O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente,"
"Autopsicografia" -Fernando Pessoa
Este poema é especialmente especial para mim, ou melhor Fernando Pessoa é, porque andei em tantas ruas que tem o seu nome, mas essa ideia é muito interessante. Primeiro aprendemos que a poeta é fingidor. Somos dispostos a supor que o poeta está sempre a falar por si mesmo ainda que saibamos que isto é errado. Mas essa ideia em si não é assim tão nova.
Mais interessante é a ideia que há uma outra dor que ele realmente tem, ou neste caso duas, mas que não expresse. E então pensamos: essas duas dores que ele descreve, essas são reais? Ou será que este poema é tão meta que os dois niveis são falsos.
Mas em verdade todos nós fazemos a mesma coisa, não somente os poetas. Nós queixamo-nos das coisas que realmente não nos importamos, enquanto escondemos as coisas mais profundas.
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