Thursday, November 8, 2012

O pano cai lentamente

"Zé - Santa Bárbara me abandonou, Rosa!
Rosa - Se ela abandonou você, abandone também a promessa.  Quem sabe se não é ela mesma que não quer que você cumpra o prometido?
Zé - Não... mesmo que ela me abandone, eu preciso ir até o fim.  Ainda que já não seja por ela... que seja só pra ficar em paz comigo mesmo."
Terceiro Ato, O Pagador de Promessas por Dias Gomes

Eu não sei como me sinto em relação a esta peça e ao Zé.  Como podemos sentir?  Toda a sua dedicação, toda a sua crença e determinação, será que não seja mais do que teimosia?  Será que ele não seja mais de burro, teimosamente se mantendo no seu rabo enquanto todas as pessoas e toda razão o empurram para mudar?

Precisa de ser mais do que isso.  O problema é que para mim, nas minhas promessas, eu vejo que sou abençoado quando as cumpro.  Isso é a"lei, irrevogavelmente decretada nos céu".  E isso não é unico para a nossa igreja, nós, como seres humanos, sentimo-nos que a vida deve ser justa, e que se fizermos tudo certinho então tudo vai correr bem.  Portanto no início, não nos sentimos que seja tolice ou teimosia que Zé fica.  Rosa parece queixosa e fraca, mas pelo fim, muda-se: Rosa torna-se a única pessoa que vê razão e que está com Zé.

Em fim, este é um tragédia, sabia que Zé ia morrer, pois diz logo na introdução, mas como disse a semana passada, não me sinto catarse na tragédia, vejo tudo que é injusto no mundo.  Mas talvez estou a perder o significado maior, pois em verdade estou meio doente. A vida é assim.

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