Thursday, November 15, 2012

O mundo inteiro é um palco

"Não é inteiramente falso, porque sem dúvida nada é inteiramente falso."
"O Marinheiro", Fernando Pessoa (como A Carlos Franco)

O marinheiro mergulha-se na metaficção, mas não há nada assim muito novo sobre metaficção, embora ainda tem peso para nós.  O que é mais interessante sobre esta peça, e Fernando Pessoa em geral, é a meta-verdade que ele cria, e também a profundeza (ou a altura da ficção/verdade).  Começamos comigo, mas em verdade já estás a ler isto, então a muito mais níveis ainda: Eu existo.  Podiamos falar muito sobre isso, mas vamos dizer que há uma pessoa que eu realmente sou.  Mas além disso tem a pessoa que eu represento.  A voz que aparece quando eu escrevo ensaios, a minha parte, que represento.  E então tem esta pessoa, que talvez não seja exatamente quem eu sou, que está a ler esta peça, por Fernando Pessoa.  Mas não é Fernando Pessoa que a escrevi, foi A Carlos Franco, a personagem que Pessoa criou, que escreve a peça.  Na história, temos as três pessoas, uma delas canta uma história: O Marinheiro.  Só no titulo vemos o papel central da metaficção.  E nesta história, o marinheiro cria um mundo inteiro que se canta, por que é preferível a verdade, mas como disse no início, não é inteiramente falso, pois nada é.

Ai vemos a mensagem destas níveis contínuas: não somos tão concretos quanto pensamos, nós somos atores, nós somos falsos, mas também é por estas falsificações que vemos verdade alguma.

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